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domingo, 22 de outubro de 2017

Corrida

Eu corro
Eu percorro
Eu me afasto
E embora o tempo seja vasto
Eu me atraso
E no fim eu me indago
Porque corro para todo lado?

Deborah MM

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Meio cheio

Meio vazio
Meio cheio
Meio pelo meio
Um dia o copo estava cheio
Hoje ele está no meio

Eu seguro o meu copo
E nele eu coloco
Acima do meio
Já nem sei direito
Se o copo está no meio
ou se eu que estou cheio.

Deborah MM

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Desejo de boa noite

Eu quero o meu copo de lucidez,
para abandonar essa insensatez
que me domina toda vez,
que faço um brinde a nós três

Hoje eu quero só...
Queríamos é estar a sós,
para a história virar pó,
para seguir sem dó

Essa história de amor,
que nunca acabou,
que não sei porque começou
e que como toda história de amor
também falará de dor.

Deborah MM









domingo, 15 de outubro de 2017

Pedreiro

Tijolo e cimento
Paredes e paredes construir,
e como bolo com fermento
ver a construção surgir

Devagar as paredes se erguem
tem dia que os engenheiros vem,
olhar como as paredes crescem
e fica falando como se eles fizessem

É tudo muito engraçado
quem projeta não faz,
só posso achar gozado
obedecer quem imagina demais

Construir na chuva e no sol
fazer a massa,
fazer tudo no meio do pó
por um preço quase de graça

Essa é a sina da minha raça:
Fazer,fazer,fazer...
Ver crescer,crescer,crescer...
E admirar de longe
o que fizemos nos olhar como nada.

Deborah MM




sábado, 14 de outubro de 2017

Infiltração

Os vasos flutuam e
as flores estão regadas,
mesa e cadeiras afundam
abaixo das tomadas.

As xícaras giram
e as colheres boiam,
o fogão não acende
e a geladeira congela a mente

Na pia da lavanderia,
a roupa eu até molharia,
mas nem sei se lavaria
Talvez lavada ela já estaria,
com suor ou água fria.

No quarto essa goteira
esses pontos na cama,
fazendo aquela carreira
e trazendo a fama

Lágrimas no colchão,
silêncio no porão,
água escorrendo na mão
e esse choro não se decide não...
Se é choro no chão
ou se é infiltração.

Deborah MM






quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Final alternativo

E se os dois escapassem?
E se apenas flutuassem?
Se ambos coubessem na tábua
e sobrevivessem a imensidão do nada.

Que toda sua bondade e seus sinos,
Apenas bastem... É o que estou pedindo!
Para a pedra preciosa amar o menino,
aquele que todos chamam de Quasímodo.

Que a ambição e a inteligência que os aproximou,
seja capaz de recriar amor,
e talvez juntos eles tivessem conseguido,
e não só o menino teria sobrevivido.

Ou talvez mesmo a história se mantendo,
o Snape poderia ser o pai do pequeno,
e ainda que eles tivessem pouco tempo,
eles viveriam aquele momento.

Talvez o amor seja o feitiço,
responsável por unir os amigos,
que se amam perdidos
e não tiveram chance de final alternativo

A todos eles, eu deixo por escrito
esse final alternativo,
para aqui ser finalmente vivido,
todo aquele amor sentido,
que não teve um lugar definido,
e que nas histórias acabou escondido,
pelo final do livro.

Deborah MM












terça-feira, 10 de outubro de 2017

Meu amor

Que o meu silêncio fale
E a minha admiração sussurre,
Que o sorriso da minha face
Seja o seu, para que tudo mude

Eu me contentaria
Se eu soubesse,
Que contente você viveria 
Se por acaso alguém viesse

O meu jeito de amar
Te ama tanto,
que eu vou te buscar
e te envolver no meu manto

Eu estaria feliz
Só em te olhar sorrir,
e poder escrever com giz 
que o meu amor não vai partir

Ele ficará contigo
Do lado que você permitir,
ou ficará comigo
para todo dia eu me despedir.

Deborah MM






segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Migalhas por amor

Na praça o som dos pássaros
Na lagoa os patos
Correndo e cantando as crianças
Curtindo a beleza da infância.

Ao chão estão os pombos,
observados por quem baixa os ombros
O que eles procuram?
Será que desejam as baratas cor de mercúrio?

As pessoas jogam farelos
e como quem estabeleceu um elo,
eles voltam cantando,
como quem diz " Estou adorando"

As migalhas os adoecem
Porque eles as comem e esmorecem?
Porque nós as damos se vai fazer mal?
Porque não os deixamos caçar afinal?

Por amor damos migalhas
que eles comem sem falta,
Por amor eu os deixo procurar
até eles poderem encontrar,
Por amor eu protejo esse lindo ser
fazendo com que ele possa viver

Não aceite receber
Aquilo ou qualquer coisa para comer,
Logo você que alegra o entardecer
Ame primeiro a você!
E não aceite qualquer migalha receber.

Deborah MM






domingo, 8 de outubro de 2017

Saber e não saber

Ele faz
Ele fez
Será que ele sabia?
Será que você sabe?
Será que você também faz?
Será que um dia você vai saber?
A verdade é que não, não saberemos
O que ele sabia é o mesmo que nós sabemos
Talvez ele, eu e você nos encontremos
Em mais um bar
Em mais uma dose
Quem sabe?
Talvez tomando aquele último gole
O Vicent perceba que é Van Gohg.

DeborahMM




sábado, 7 de outubro de 2017

Espetáculo

Luzes que vamos começar!
Ao picadeiro ele vai chamar
Todos que vão se apresentar

Os palhaços vem com as traquinagens...
Chamativos desde a maquiagem,
de tudo eles tiram vantagem
conduzindo a plateia nessa viagem

Os trapezistas entram pelo ar...
Mãos e pernas que mais parece mar,
de um lado para o outro eles vão se balançar,
até a hora de saltar e se arriscar,
sem saber se ao outro lado vão chegar

O equilibrista chega e se organiza,
começa sua série e cativa,
e o público valoriza...
E enquanto ele equilibra,
ele analisa e teoriza
sobre a multidão que se agita

Para quem será que o povo grita?
Para a arte que é bonita?
Para a imaginação reprimida?
Para lembrar da infância perdida?
Não importa! Vamos em mais uma conquista!
No público o aplauso da partida,
E para eles a luta segue ativa
A partir da premissa:
Ser artista.

DeborahMM













sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Controle

Começa o meu filme favorito,
eu assisto,
até que ouço um barulho doído,
e eu pauso o meu filme preferido.

Eu resolvo,
eu volto de novo,
eu aperto para com o filme seguir,
mas de novo preciso partir

Tantas paradas...
Eu nem lembro mais de nada...
Estou tão cansada!
E o filme eu não continuava,
só que você não reclamava
Sempre fiel, você me esperava

Até que teve tempo,
que eu vi outros filmes no momento,
eu lembrava do meu filme como o vento
e as vezes fingia não estar percebendo

No fim a gente acabou vivendo...
Parando , voltando e parando
Até parar de vez
Até o tempo me dizer " O que você fez?"

O controle afastou nós dois?
Ou fui eu que deixei sempre pra depois?

Até hoje quando te vejo...
Eu me tremo de corpo inteiro,
Como quem sai de um nevoeiro
e se alegra ao ver algo costumeiro

Que pena!
Eu espero que eu aprenda
e que ligue através dessa fenda,
o filme com a minha alma pequena.

Deborah MM