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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Quando o David sorri

Sabe aquela cena favorita do filme?
Memória que te deixa firme
Aquele refrão da música na cabeça?
A comida que de tão boa você comeria a mesa?
Emoção em corredeira
Sabe como é essa reação em cadeia?
É preciso só um olhar
As vezes é só imaginar
Aquela alegria, o teu sorriso a brilhar
Eu guardo todos eles ,eu percorro todos eles
E as vezes...
Eles me levam para onde eu quero ficar
No movimento dos teus olhos a fechar
Para o balanço dos teus lábios a sorrir
O abanar dos teus ombros a descer e subir
A tua respiração profunda pelo nariz
É... Não há completude maior que ser feliz

Deborah MM



domingo, 14 de janeiro de 2018

Droga!

Aquela correnteza de gente,na vulva quente
Droga!
Aquele aroma de atração e desejo permanente
Droga!
O indivíduo crescendo dentro da gente
Droga!

O remédio de matar a fome no peito
Droga!
A cura dos arranhões que a mãe passa com jeito
Droga!
Felicidade,tristeza,dor,medo e tudo que pensamos no leito
Droga!

O ar que me invade e me envelhece
Droga!
O rio vermelho que me fortalece
Droga!
A dependência de comer que ninguém merece
Droga!

Tem um tal de papel que diz " só a partir dos dezoito"
Droga!
Uns médicos dizem que de dez morreram oito
Droga!
Morreram porque foram afoitos? Ou era melhor morrerem comendo biscoitos?
Droga!

Manchetes de morte nos jornais
Droga!
Morreu porque amou demais
Droga!
De tanto trabalhar descansou em paz
Droga!
Chocólatra e doce amigo aqui jaz
Droga!

Será que elas matam ou fazem viver ? Que confusão terrível!
Uma vida sem elas é impossível!
O final dos exageros é previsível!
Droga!

Que pena! Não há nada a fazer!
Cada um escolhe sua droga
Ou ela escolhe você
E mesmo em uma vida com muitas podas
Não se engane, você também se droga
Droga!


Deborah MM

 * Deixando muito claro que não estou incentivando o consumo de drogas de nenhuma natureza, nem condenando. Estou apenas lembrando, que cigarro e chocolate são drogas que atacam órgãos  e matam com o uso desenfreado.Mesmo a promessa de cura dos remédios são mais drogas.




    

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Origem

A glória da primeira travessia
A angústia da chegada da pontinha branca
O triunfo do murmúrio rudimentar
O estranhamento na perda da faca alva
O estopim da gota corredeira do semblante
Imprescindível para você e para o seu semelhante

Mesmo que os caminhos sejam sinuosos
Que hajam garras sombrias
Embora que as elocuções  golpeiem
E se afirme a ausência de recursos
E lhe reste apenas os pingos a deslizar 
E mesmo que ao se ver, você não consiga acreditar

Ainda que se escute o som do bastão
Que as lâminas empunhadas sejam compradas
E que o discurso seja amargo
E as cicatrizes sejam permanentes
E a água salgada limpe as dobraduras da derme
Com o reflexo irreconhecível sentido na pele

O início é sempre o começo
E o fim sempre traz um preço

Mas a origem é aquele lugar
Que vão os refugiados
Se convencer
Que apesar das opções e novidades
Algo permanece intacto e único
Você será sempre você no mundo.

Deborah MM





domingo, 24 de dezembro de 2017

Questões para o Papai Noel

Hoje a esperança se refaz,
está no livro, acredita quem é capaz
Me pergunto e se ele retornar?
Todos os outros também vão poder voltar?
Hilde terá Zuzu e Tute a segurar uma vela?
E Glória terá de novo a sua Daniela?
Todas as outras famílias anônimas do mundo,
terão de volta seus amores profundos?
Será que eles que vem?
Será que eles estão bem?
Ou será que nós é que vamos?
Onde estamos?
Será retorno ou partida?
Essas mortes e essas vidas
Do que se trata de fato esta noite?
Nos questionemos sem risco de açoite
Falamos de quem já foi ou de quem é?
Para muitos, se trata de uma questão de fé
Em que? Em quem?
Na alegria? Na tristeza? No bem?
Nas pessoas? Nas religiões?
Na vida? Na morte? Nas canções?
Muitas perguntas para uma noite, um jantar...
Vamos então abrir uma garrafa e ceiar...
E depois cada um imagina sua resposta sem contar
Assim talvez os questionamentos continuem para o bem e para o mal
Mas independente disso todos irão sorrir e desejar um Feliz Natal!

Deborah MM




sábado, 23 de dezembro de 2017

Jogando bola

O globo em órbita em giros contínuos, 
como a bola no pé dos meninos
Rapidamente ela segue vindo,
sob o sol no céu surgindo

Morosamente, as mãos vão encontrando,
como manipular a esfera com a habilidade de um cigano
De diferentes comprimentos e texturas,
ele descobre girando-as com ternura

Com a cadência da força,
mãos e pés dizem para ela "Corra!"
E a partir da luz do astro guia
ele aprende como cada uma gira

Com o tempo ele percebe,
o astro guia é exemplo e seu exemplo segue
Assim, ele nota no cortar deste fio
que ele seguia o vácuo, o vazio

Seu universo se expandiu,
e o jogo que um dia foi frio
Hoje é aquecido pela bola amarela e pequena
que marcou no chão de barro o poema

E como todo estrela,
um dia não será possível vê-la
Mas sua luz para sempre brilhará
nas marcas de barro no chão a piscar.

Deborah MM




sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Calma e tranquilidade

Um semblante silencioso,
do tipo que parece enganoso
E de tão legítimo,
se confunde com o fictício

Em tudo que é palpável
há ruptura para o imaginável,
como o sorriso dos teus olhos,
assistindo a manifestação de ódio

Entre o fabuloso e o enganoso
Há uma linha imaginária conosco,
Ela delimita, se de fato é verdadeiro o suspiro
ou se é uma respiração de alívio,
de alguém hipotético
que tem a calma e a tranquilidade de ser antiético

O concreto seria considerar patético
esse ser aparentemente dialético
Ou será tudo mais simples?
Junto com este há mais de vinte
E embora que a descrição tenha acontecido com perfeição
é melhor ter paz do que ter razão

Então, entre tantos sujeitos figurados
É melhor para todos seguir calmo
E ao invés de contar e reparar
no silencioso semblante hipotético a incomodar
escolher contar conchas e reparar no mar.

DeborahMM


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Senhora Poesia

A poesia é o desejo
Essa vontade que dá,
Independente se vejo
Então, vem cá!
Quero um beijo!

A sensação de derrapar nas curvas
Se entorpecer com o aroma,
sem saber se a vida continua
em um infinito coma,
entre ser dela e ser tua
sem demora ou redoma,
a sensação desnuda
por dentro e na rua.

Me abandonarei nos braços
e terá fim o meu cansaço,
Nesse abraço,
amarrarei firme com um laço
Nossos corpos até virarem bagaço!

Que mais uma vez tenhamos tempo
de fugir dessa vida,
Sem deixar rastros pelo vento
nem promessas perdidas,
Apenas viver o momento
do banho das almas unidas

Se mais for preciso, não sei dizer
só direi para o teu corpo,
Pois, sinto que só ele pode responder
e quem sabe antes de morto,
Se possa ouvir os teus suspiros de prazer
e ver o sorriso torto,
na boca se fazer
E no barulho rouco
seguir com o desejo louco
o desejo de você

Éis o ingrediente secreto conhecido
que me faz pensar tudo isso,
E faz entregar assim perdido
o desejo que há nesse feitiço,
sem saber se este me mata com o castigo
ou esta é a dor do omisso

O que importa eu não sei !
Não sei o que é!
Mas dessa vez,
o meu desejo te quer,
não só por um mês
mas na vida como minha mulher.

Deborah MM







quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Utopia

Eu gosto do desconforto
Aprecio aquilo que é torto
Adoro o incômodo
Venero o medo do âmago
Amo a angústia
Prezo pela modéstia
De estimar o que é ilusório
Como um utópico.

Deborah MM



terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Salão

No meio do saguão
Ela esperava ,pacientemente, com aquele cordão
E sem dizer não
Ela caminhava na direção
E tão rápido como um vagão
Ela partia abanando a mão
E ,secretamente, no peito sua afeição
Batia apertada no porão
De quem volta para a reclusão
Seu cárcere de observação e contemplação
Onde tudo para sair é em vão
Não há respostas na razão
E não basta ter a recordação
Pois no fim as paredes se encontrarão
E no céu estará a rosa da explosão
Que será colhida e assim então
Florescerá no infinito, na imensidão
Pela ponta do alfinete, fonte de ressurreição.

Deborah MM 


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Guarita

Estarei a olhar distante
Para a tua saga de errante
Deixando que tu vivas
E que enfim se decida
Entre ir ao mar
Ou armar a rede no lar.

Deborah MM

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Pedido

Eu tenho um pedido
Eu quero um dia tranquilo
Um dia sem novidades
Troco tudo pela normalidade
De um único dia morno
Como o banho com água que foi para o fogo

Eu quero a ausência do clímax
Sem classificações e síntese
Talvez seja demais
Enquanto isso a gente faz
E de sol a sol
Os dias nos reduzem a pó

E quando o fim chegar
Nada vai adiantar
Tudo vai ficar
E quem quiser vai cuidar
Enquanto quem fez vai só olhar
E rir, pois vai entender que tudo vai acabar.

Deborah MM